A confissão (2006), de Flávio Carneiro (Goiânia, 1962) é uma obra que oscila entre o romance fantástico e o romance de terror, agradando em cheio ao leitor moderno, por suas situações insólitas, pela ruptura com as noções canônicas de tempo e espaço e pela incansável fixação do inapreensível, do inusitado e do efêmero. O autor explora a violência em um lugar e tempo em que isso já não choca mais, já não produz mais objeção, frente à ausência de valores que norteiam a sociedade materialista e individualista da pós-modernidade. No plano da fabulação, um narrador anônimo seqüestra uma mulher e a leva para uma casa isolada, na qual a submete ao vexame de ouvir sua história. Ouçamos nós também.
Humberto Milhomem
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