sábado, 14 de março de 2009

RE5, finalmente a analise do game, e o resultado é positivo

Classificação: Imperdível


Desde o excelente "Resident Evil 4", jogo lançado originalmente em 2005 para
Gamecube, os fãs da celebrada franquia da Capcom estão à espera de um novo
capítulo oficial para tentar desvendar mais mistérios de sua complexa trama e,
claro, explodir cabeças de zumbis implacáveis. Demorou um bocado, mas
finalmente "Resident Evil 5" está entre nós, trazendo várias melhorias à sua
fórmula e algumas boas novidades , se aprofundando ainda mais em sua mitologia
ao amarrar pontas soltas do game de quatro anos atrás e também de "Resident
Evil: The Umbrella Chronicles" - jogo de tiro para Wii de 2007, que também se
encaixa no cânone da grife.


Uma aventura na África

O novo capítulo da saga volta a se concentrar na figura de Chris Redfield,
introduzido ainda o primeiro jogo da série. Depois de desmantelar a corporação
Umbrella, responsável por experiências que levavam a mutações horrendas em
humanos e animais, o herói se empenha na luta contra o tráfico de tais
experimentos, usados com armas biológicas por terroristas e outros grupos
criminosos.

Sua mais recente missão o envia a um país fictício do continente africano para
investigar uma nova epidemia - muito parecida com a relatada por Leon Kennedy
em "Resident Evil 4", quando teve que resgatar a filha do presidente dos EUA
das garras de um culto misterioso na Espanha. Como integrante da agência
antibioterrorismo BSAA, Chris se alia a uma agente local, a atlética Sheva
Alomar, e parte em uma jornada que, no fim das contas, não se limita a estudar
as origens da infecção e explora todo o passado da franquia, assim como
personagens muito queridos pelos fãs.
A trama é com certeza o grande trunfo do game, capaz de absorver não só os fãs
de longa data da série, mas também marinheiros de primeira viagem. Como este já
é o oitavo título canônico e alguns eventos passados podem estar apagados na
memória dos veteranos , o jogo traz arquivos em texto sobre a mitologia
completa da franquia para relembrar fatos e situar os novatos. Isto é
importante porque a narrativa não se acanha em despejar referências a jogos
anteriores ou apresentar flashbacks reveladores, mantendo o importante senso de
progressão da série - já se foram treze anos desde o primeiro "Resident Evil" e
ainda curtimos a história introduzida por ele, com suas várias reviravoltas e
conspirações.


Parceiros em sintonia

O grande chamariz deste "Resident Evil 5" é o sistema de parceria entre Chris e
Sheva, algo que foi introduzido em "Resident Evil 0" para Gamecube e aqui
funciona de maneira mais dinâmica. Jogando sozinho, o usuário controla Chris
enquanto o computador se encarrega de Sheva, utilizando duas posturas
diferentes, uma mais agressiva e outra de cobertura. A moça é bastante útil não
só nos combates, mas também na exploração dos cenários para a resolução de
puzzles - podemos ajudar a heroína, por exemplo a subir, em uma plataforma de
difícil alcance para encontrar a saída.

Infelizmente o computador não é lá muito esperto e coloca Sheva como uma
verdadeira cria do Rambo. Ela não hesita em gastar balas, granadas e spray de
primeiros socorros ao menor sinal de perigo, o que pode comprometer seu estoque
para momentos mais críticos, como os combates contra os chefes. É necessária
cautela ao utilizar o novo sistema de inventário em tempo real e dar a ela
somente o essencial para uma cobertura efetiva, sob o risco de desperdiçar
itens valiosos em confrontos banais.

Talvez por isso o jogo seja tão viciante em multiplayer, com dois amigos
controlando os protagonistas. Embora não seja um processo muito intuitivo
offline - é necessário que o segundo jogador pressione start durante uma
partida em andamento para poder entrar, já que a opção não aparece no menu
inicial - é bastante compensador. Dá para estranhar um pouco a divisão da tela,
que fica preta e mostra duas telas um pouco distantes uma da outra, similares
ao efeito PIP (Picture in Picture) de televisores. Mas ao se acostumar com o
efeito, com certeza tudo fica mais interessante, ágil e entrosado. O mesmo
esquema pode ser repetido online, o que se mostrou igualmente interessante.

Flexionando os músculos
A apresentação de "Resident Evil 5" também segue a tradição da série ao
entregar visuais sensacionais e um forte clima cinematográfico, que aproveitam
bem os músculos dos consoles. Trechos não-interativos conseguem bombear vida ao
enredo, enquanto gráficos espetaculares chamam a atenção em todos os cantos,
com texturas de alta qualidade e ótimos efeitos de luz e partículas. Há uma
grande riqueza de locais - desde minas, tribos, manguezais, portos e ambientes
industriais - e também de inimigos, que surpreendem pela vivacidade e
caracterização.

O áudio também é bastante complexo, se aproveitando de vários canais para
bombardear os ouvidos do jogador com informações por todos os cantos, causando
um envolvimento digno de filmes como "Falcão Negro em Perigo" - para citar uma
das várias semelhanças. Só mesmo a dublagem deixa um pouco a desejar, ainda
mantendo um certo ar de canastrice dos primeiros exemplares, com várias frases
feitas e reações pouco convincentes.

Há ainda vários elementos extras a serem habilitados, como o tradicional
minigame "Mercenaries", além de roupas extras e outros segredos revelados com o
término do jogo, que induzem o jogador a encarar tudo novamente sem pestanejar.


Tradições intocadas

Além das mudanças de mecânica trazidas pelo esquema de parceria, há uma
tentativa de aproximar mais o jogo da ação com várias situações de combate
contra múltiplos inimigos, se focando menos na resolução daqueles problemas
inverossímeis do passado - como encontrar partes de estátuas que abrem
passagens secretas nos lugares menos prováveis - ainda que alguns trechos
similares ainda estejam presentes.
Infelizmente ela é pouco eficiente, se baseando somente em esquemas de
controles novos (opcionais) que se assemelham ao de jogos como "Gears of War",
além do próprio posicionamento da câmera, que limita a visão à direita do
jogador ao se posicionar sobre o ombro do herói. O problema é que, além ter a
visão do lado esquerdo comprometida, você tem o reflexo natural de controlar
Chris (ou Sheva) como Marcus Fenix, quando eles não possuem a mesma agilidade
do herói futurista da Epic. Há ainda resquícios do tal "controle de tanque",
aquele que obrigava obrigando o personagem ter que girar em torno do próprio
eixo para mudar de direção e ter que parar para atirar.

É algo que não deve incomodar os veteranos da série, mas pode irritar aqueles
acostumados com toda a agilidade e rapidez dos jogos de tiros modernos. De
qualquer forma parece ter sido uma atitude planejada da Capcom - como foi
confirmado em entrevistas pelo produtor Jun Takeuchi - para travar um pouco o
personagem e criar tensão de forma artificial. Como não há muitos momentos de
real suspense na trama e a preocupação em estocar munição foi bastante
reduzida, o sufoco agora reside na limitação dos personagens em reagir aos
constantes ataques inimigos, que vem de todos os lados. É uma aposta um pouco
preguiçosa, há de se admitir, mas que acaba funcionando como planejado - há
muitos momentos de sufoco quando se você se vê incapaz de se proteger e reagir
das agressões rapidamente.

"Resident Evil 5" é um ótimo capítulo da tradicional franquia de terror da
Capcom, explorando de forma instigante a mitologia da série, com um
apresentação caprichada e boa sinergia entre os protagonistas nos vários
momentos de ação. Há muito conteúdo a ser descoberto, o que fará com que fãs
joguem a campanha principal repetidas vezes, principalmente quando o modo
multiplayer se revela tão interessante. Infelizmente os controles são
antiquados, mantidos assim propositalmente para acentuar a tensão dos
tiroteios, o que não deve agradar os novatos acostumados com jogos mais ágeis.
Mas é obrigatório para os fãs, que deverão encontrar aqui um episódio que não
deixa nada a dever aos anteriores.


Fonte: Jogos/Uol

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