terça-feira, 17 de março de 2009

Seria o Google mais perverso do que a Microsoft?

Seria o google mais perverso do que a Microsoft?

Ainda acha que a Microsoft é má e o google bom? Pense melhor.

Apesar dos diversos avanços tecnológicos com os quais nos tem brindado, a Microsoft tem sido retratada como o Império Galáctico do Mal em Star Wars: um regime tirânico focado em dominar o universo de uma forma nefasta para os seus próprios fins.

O Google, por outro lado, tem sido visto como um grupo de rebeldes em busca da liberdade, confiando em sua astúcia e bondade para lutar contra o império do mal.



Pelo jeito, os tempos mudaram.

Hoje, nenhuma outra empresa se assemelha tanto com a Microsoft em suas ambições globais, do que o Google, com um foco claro na linha do topo e - pela primeira vez - uma série de críticas que temem que com o enorme crescimento que a empresa tem atingido, acabe afetando o mercado de uma forma irreversível.

Na verdade, o receio do poder de mercado do Google tem crescido tanto, que provavelmente ao longo dos próximos 4 anos alguma ação antitruste será lançada pelo Departamento de Justiça do governo americano.

Para entender melhor por que o Google poderia sofrer uma ação antitruste, ouçam Christine Varney, nomeada pelo Presidente Barack Obama como assistente do procurador-geral no setor de antitruste do Departamento de Justiça - em outras palavras, a nova Czar do antitruste dos americanos.

Em 19 de junho de 2008, bem antes da eleição, Varney participou de um forum de discussões patrocinado pelo Instituto Americano Antitruste. Segundo a Agência de Notícias Bloomberg, ela advertiu que o Google, e não a Microsoft, representará o maior risco antitruste do século 21.



"Para mim, a Microsoft é coisa do século passado. Eles não são mais o problema,"ela disse, acrescentando que a nossa economia "irá ver de forma contínua um problema - potencialmente com o Google,"que tem adquirido um monopólio de publicidade online na internet."

Varney advertiu que o Google pode apresentar outros perigos também, em especial na computação em nuvens(computação em nuvens se refere, essencialmente, à idéia de utilizarmos, em qualquer lugar e independente de plataforma, as mais variadas aplicações através da internet com a mesma facilidade de tê-las instaladas em nossos próprios computadores). A compania está "rapidamente dominando o mercado daquilo que eu poderia chamar de um ambiente de computação nas nuvens", disse ela.

Antes que alguém perdesse o seu ponto de vista sobre o Google, Varney acrescentou, "Quando todas as nossas empresas utilizarem a computação em nuvens e uma única empresa oferecer uma solução eficiente, veremos acontecer o mesmo fenômono que acontece hoje em relação a Microsoft."

Continuando sua explanação, ela disse que da mesma forma que as empresas reclamaram da dominação da Microsoft antes da operação antitruste contra ela, "haverá empresas que alegarão que o Google as estará discriminando" por "não permitir que seus produtos interajam com os produtos do Google".

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Tudo isso não é coversa fiada. Varney tem uma longa experiência com fatos antitruste e tecnologia. Na verdade, ela era uma lobista pela netscape e forçou o Departamento de Justiça do governo Clinton a processar a Microsoft por violação de leis antitruste.

Antes disso, ela tinha sido membro da Comissão Federal do Comércio no próprio governo Clinton. Enquanto esteve lá, foi um defensora voraz da privacidade online, apelando para que o governo aumentasse o rigor das leis sobre privacidade. Tendo em conta que muitas pessoas têm receio de que o Google acumulou demasiadas informações pessoais sobre os usuários da internet, essa não é uma boa notícia para a empresa.

Não há nenhuma garantia de que haverá alguma ação antitruste contra o Google, é claro. Varney fez essas declarações antes de ser nomeada como a chefe antitruste do país. Ela pode muito bem mudar de idéia, ao assumir essa nova função.

Por outro lado, se eu fosse um executivo do Google, existe um departamento no qual sequer cogitaria fazer demissões, muito pelo contrário faria novas contratações: o departamento jurídico.


Por Preston Gralla

Fonte: Pcadvisor

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